ISSN 1982-6621 On-line | ISSN 0102-4698 Impresso (até 2015)

ARTIGO – ”ELES FAZEM A GINÁSTICA SUECA COM ADMIRÁVEL PRECISÃO …” CONSTRUÇÃO DE NAÇÃO E PRODUÇÃO DE INOCÊNCIA NO INDIGENISMO ESTATAL BRASILEIRO DO INÍCIO DO SÉCULO 20

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ARTIGO - ”ELES FAZEM A GINÁSTICA SUECA COM ADMIRÁVEL PRECISÃO …” CONSTRUÇÃO DE NAÇÃO E PRODUÇÃO DE INOCÊNCIA NO INDIGENISMO ESTATAL BRASILEIRO DO INÍCIO DO SÉCULO 20


ARTICLE - “WITH ADMIRABLE PRECISION THEY EXERCISE SWEDISH GYMNASTICS…”: NATION-BUILDING AND PRODUCTION OF INNOCENCE IN EARLY BRAZILIAN STATE INDIGENISM


PATRICIA LORENZONI – Uppsala University, Centre for Multidisciplinary Studies on Racism, Uppsala, Sweden


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RESUMO:

Uma fotografia do início do século 20 no acervo do Museo do
Índio mostra crianças Paresí exercendo “ginástica sueca”. Essa ginástica
era praticada nas escolas de vários postos indígenas do SPI como parte do
projeto indigenista de “nacionalizar” as populações indígenas. Usando a
foto como ponto de partida, este artigo explora a relação entre um projeto
positivista de nação dentro do indigenismo brasileiro, e a ginástica do Ling
como um projeto voltado para a população e a nação. Aplicando os conceitos
de zona de contato colonial e estratégias de “anticonquista” de Mary Louise
Pratt, bem como a análise do indigenismo como uma continuação da
guerra de conquista com outros meios, de Antonio Carlos de Souza Lima,
o artigo argumenta que a ginástica sueca ressoou particularmente bem com
o indigenismo positivista. Percebida como um método de educação física
não comprometido pelo militarismo chauvinista, a ginástica encaixava em
um projeto colonial de nação baseado na negação da própria violência.

Palavras-chave: Indigenismo. Colonialismo brasileiro. Ginástica sueca. Educação física.


ABSTRACT:

An early 20th century photograph in the collections of Museo
do índio in Rio de Janeiro shows Paresí children in Mato Grosso exercising
“Swedish gymnastics”. The program for physical education codified
by Swedish educator Pehr Henrik Ling was practiced in the schools of
several SPI indigenous stations in the period, as part of the state indigenist
project of “nationalizing” the indigenous populations. With the photo
as a starting-point, this article explores the relation between a positivist
nation-building project in Brazilian indigenism, and Ling gymnastics as
a project directed towards the population and the nation. Applying Mary
Louise Pratt’s concepts of colonial contact zone and strategies of “anticonquest”, as well as Antonio Carlos de Souza Lima’s analysis of state
indigenism as a continuation of the war of conquest with other means,
I argue that Ling gymnastics resonated particularly well with positivist
indigenism. Perceived of as a method of physical education not tainted by
chauvinistic militarism, it could find its place in a colonial nation-building
project resting on denial of its own inherent violence.

Keywords: Indigenism. Brazilian colonialism. Swedish gymnastics. Physical education.


Recebido em: 12/24/2018 | Publicado em: 09/12/2019