ISSN 1982-6621 On-line | ISSN 0102-4698 Impresso (até 2015)

FORMA DE VIDA SURDA E SEUS MARCADORES CULTURAIS

Edição Atual

FORMA DE VIDA SURDA E SEUS MARCADORES CULTURAIS


Pedro Henrique Witchs
Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.
Maura Corcini Lopes
Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Pós-Graduação em Educação, São Leopoldo, RS, Brasil.

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RESUMO:

O artigo objetiva problematizar a constituição de marcadores culturais que compõem a experiência de ser surdo de maneiras distintas e propõe discutir a surdez como uma condição necessária para a existência de uma forma de vida. Para tanto, inicialmente demonstra como a surdez passou a ser interpretada no registro cultural e, em seguida, desenvolve a discussão sobre o conceito de forma de vida para, juntamente com os estudos surdos e os estudos foucaultianos em educação, analisar os sete primeiros números da Revista Ephphatha, publicados pela Associação Brasileira de Surdos-Mudos entre 1914 e 1915. Neles, é possível evidenciar a constituição de marcadores relacionados à surdez em um período que antecede à inscrição dessa experiência no registro das identidades. Assim, foram identificados e discutidos marcadores culturais relacionados à surdez como uma condição primordial de distinção; à alma em luta permanente e bipartida pela (a)normalidade; à identidade; à reunião em um espaço físico ou virtual; ao olhar; à língua de sinais; à experiência visual-gestual e ao tempo. Destacou-se a importância do marcador linguístico na constituição de uma cultura surda e observou-se que os argumentos que sustentam tal noção podem encontrar fortalecimento na medida em que sejam evidenciados mais marcadores culturais atribuídos ao processo de subjetivação dos surdos. Argumenta-se, deste modo, que a surdez determina algo de surdo em tudo o que expressa uma subjetividade marcada por ela como condição primordial de distinção.

Palavras-chave: Surdez; Surdos; Forma de vida; Marcadores culturais; Educação de surdos



INTRODUÇÃO

Este artigo parte de uma discussão desenvolvida por Lopes e Veiga-Neto (2006) sobre os marcadores culturais surdos – expressão utilizada pelos autores para referenciar elementos que unem e fortalecem os surdos como um grupo social com características próprias. Nossa intenção é desdobrar essa discussão por outro viés argumentativo não explorado pelos autores. Sem descartar o que foi feito por eles, tomamos o conceito de forma de vida (WITTGENSTEIN, 1996) com o objetivo de problematizar a constituição de marcadores culturais que compõem a experiência de ser surdo de maneiras distintas e até mesmo impensadas. Nesse sentido, aqui não serão tomadas posições de uma lógica binária em relação ao ser surdo, uma vez que nosso interesse é “o de pensar o próprio pensamento e as verdades que criamos para orientar os outros e a nós mesmos” (VIEIRA-MACHADO; LOPES, 2016, p. 640).

Nesse sentido, propomos apresentar e problematizar alguns marcadores culturais surdos identificados em registros arquivados no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), localizado na cidade do Rio de Janeiro. Embora a análise aqui apresentada seja sobre documentos pontuais, o que nos conduz a perceber marcadores culturais surdos, nos materiais, são os investimentos de mais de duas décadas em pesquisas sobre a educação de surdos e em comunidades de surdos. Além dos marcadores já apontados por Lopes e Veiga-Neto (2006), acrescentamos a caracterização de mais quatro marcadores, articulando a discussão à noção de forma de vida. Deste modo, temos a intenção de ampliar os debates, fornecendo mais elementos para pensar a surdez e os indivíduos que possuem uma experiência que é vivida, sentida, produzida, mas não necessariamente traduzida pela identidade e pelos modos específicos de ser surdo.

Dito isto, este texto está organizado como segue: na sequência desta breve introdução, discutimos a relação da surdez com a noção de cultura, com a intenção de mostrar os modos pelos quais essa experiência passou a ser interpretada pelo registro cultural; em seguida, desenvolvemos a discussão sobre o conceito de forma de vida, de modo que seja possível articulá-lo aos marcadores culturais surdos identificáveis na Contemporaneidade; na quarta seção, evidenciamos essas marcas na superfície de um material empírico constituído pelos sete primeiros números da Revista Ephphatha, publicada pela Associação Brasileira de Surdos-Mudos entre 1914 e 1915, hoje mantidos pelo acervo histórico do INES. Por fim, argumentamos que a surdez é uma condição de vida que determina algo de surdo em tudo o que expressa uma subjetividade marcada por ela como uma condição primordial de distinção. Dizer isso não significa que tudo o que é feito por sujeitos surdos seja algo que possa ser apontado e nomeado como sendo surdo. Não há uma relação de causa e efeito, mas há uma relação entre experiência e subjetividades ou formas possíveis de ser do sujeito.

SURDEZ E SUA RELAÇÃO COM A CULTURA

Até a primeira metade do século XX, não havia condições epistêmicas para dizer sobre uma cultura surda; tal noção não estava na ordem do discurso. Além de identidades culturais como a identidade surda terem se proliferado a partir da segunda metade daquele século, a língua de sinais – artefato primordial que dá sustento à noção dessa cultura – não possuía legitimidade ou reconhecimento linguístico antes da década de 1960. Na condição de grupo social como são conhecidos hoje, os surdos podem ser incluídos nos movimentos que, segundo Wieviorka (2002), buscam pela inversão do estigma de uma identidade reduzida à imagem de uma natureza e passam a se afirmar culturalmente de maneira visível e assumida. Tendo as reivindicações em relação ao uso da língua de sinais e o desbloqueio dessa língua no campo educacional como condições de possibilidade, os surdos passaram a destacar suas diferenças culturais e linguísticas para tomar posição entre outras identidades. Diante disso, não é possível negar a identidade surda, mas entendemos que as identidades estão para as políticas e os movimentos sociais pelos direitos dos surdos, assim como as subjetividades estão para a experiência de ser do sujeito com surdez – e é sobre esse segundo registro que desenvolvemos aqui nossa argumentação.

Para discutirmos sobre a constituição dos marcadores culturais que constituem uma forma de vida surda, consideramos necessário localizar, neste artigo, o tão polissêmico conceito de cultura: sua formalização, tal como é conhecido hoje, segundo Laraia (2009), se deu no século XIX, quando Tylor sintetizou, na palavra inglesa culture, toda a estrutura que contempla conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes, ou quaisquer outras capacidades ou hábitos desenvolvidos pelos indivíduos que constituem uma sociedade. A definição também passou a fazer oposição à crença da aquisição de costumes via determinismos biológicos. Além de caracterizar toda a possibilidade de realização humana em uma única palavra, ela demarca a força do caráter de aprendizado da cultura. De acordo com Eagleton (2005), antes de adquirir essa concepção, o conceito de cultura geralmente sugeria uma relação entre o artificial e o natural, principalmente quando era pensado pela perspectiva de que os meios utilizados para transformar a natureza derivam dela mesma.

Para que o conceito de cultura emergisse e a ideia de homem uniforme começasse a perder ênfase, Geertz (2008) afirma ter sido necessário considerar que a definição de homem pudesse estar envolvida “com onde ele está, quem ele é e no que ele acredita” (p. 26). Essa consideração remete ao relativismo cultural que Boas (2010) apresenta nas primeiras décadas do século XX. O relativismo cultural pressupõe que diferentes culturas se expressam de distintas formas e que, por isso, as atividades humanas deveriam ser interpretadas em seus próprios contextos – embora tais contextos estivessem fortemente restritos, naquele momento, a questões étnicas, nacionalistas ou relacionadas a alguma civilização.

É possível estabelecer que uma compreensão culturalista da surdez deve-se, em partes, a um fluxo de trabalhos e teorias sobre o estatuto contemporâneo da cultura na segunda metade do século XX, modo como Mattelart e Neveu (2004) caracterizaram os Estudos Culturais. Nesse campo, a cultura passa a ser considerada em seu sentido mais amplo, no qual se passa “de uma reflexão centrada sobre o vínculo cultura-nação para uma abordagem da cultura dos grupos sociais” (MATTELART; NEVEU, 2004, p. 14). Esse deslocamento na ênfase da noção de uma cultura única e universal para uma noção de coexistência de diferentes culturas, apesar de ser manifestado teoricamente, para Veiga-Neto (2003), não está reduzido a uma questão epistemológica. O autor escreve que “tal deslocamento é inseparável de uma dimensão política em que atuam forças poderosas em busca pela imposição de significados e pela dominação material e simbólica” (VEIGA-NETO, 2003, p. 11).

No mesmo período em que o campo dos Estudos Culturais adquire seus contornos, vê-se o reconhecimento linguístico da comunicação sinalizada exercida por surdos, que passa a ser entendida como uma língua natural com estrutura e gramática próprias. Referimo-nos, particularmente, aos estudos sobre a American Sign Language(ASL), de Stokoe e seus colaboradores, que foram inicialmente publicados em 1960 e 1965. Entendemos que o reconhecimento linguístico da língua de sinais, a partir desses estudos, em consonância com os outros movimentos sociais e políticos, operou como condição de possibilidade para alterar a compreensão da surdez, sobretudo no modo como a educação de surdos passaria a ser conduzida nas décadas seguintes.

Com a inauguração dos Estudos Surdos como um campo que reúne esses movimentos e vem produzindo outros sentidos à surdez, a noção de cultura surda emerge e se prolifera tanto nas esferas sociais e políticas quanto na academia. Ao abordarem a surdez como uma etnia, Lane, Pillard e Hedberg (2011) embasaram-se na noção de que um grupo étnico compreende uma coletividade com ancestralidade real ou supostamente comum, memórias compartilhadas de um mesmo passado histórico e um foco cultural em um ou mais elementos simbólicos, tal como funciona a língua de sinais quando tratada como um artefato cultural dos surdos. Em uma análise conceitual da proliferação da noção de cultura surda, Magnani (2007) identificou um uso indistinto, descritivo e pragmático da categoria cultura em trabalhos oriundos dos Estudos Surdos. De acordo com o autor, o uso frequente do termo “aparece quase sempre sem maiores explicitações ou como se tivesse um significado unívoco, aceito de forma inconteste, transparente” (MAGNANI, 2007, p. 4).

Conforme Gomes (2011), a cultura surda se tornou um imperativo conceitual que tem sido significado de diferentes formas. Em narrativas de surdos analisadas pela autora, o conceito é sinônimo de “língua, diferença, marcador identitário, essência, artefato fundamental de lutas e característica inata do sujeito surdo, propriedade privada ou concedida” (GOMES, 2011, p. 71). Além disso, Gomes (2011) acrescenta que a defesa de um modo de ser surdo se constituiu em movimentos, lutas e discussões políticas, permitindo que o conceito de cultura surda emergisse com força de legitimidade e caráter científico. Em uma grande pesquisa desenvolvida pelo Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos (GIPES/CNPq), buscou-se analisar a produção, a circulação e o consumo da cultura surda brasileira. A partir de uma série de registros visuais, da escrita da língua de sinais, de traduções da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para a escrita da língua portuguesa, dentre outras produções coletadas a partir da década de 1990 para a realização dessa pesquisa, Karnopp, Klein e Lunardi-Lazzarin (2011) destacaram que as produções culturais surdas analisadas inferem na forma como tem sido significada a cultura surda. De acordo com as autoras, os deslocamentos na forma de entender essa cultura “vêm produzindo subjetividades surdas convenientes para a contemporaneidade” (KARNOPP; KLEIN; LUNARDI-LAZZARIN, 2011, p. 25).

Considerando todos esses aspectos e para fazer referência a um conjunto de elementos que unem e fortalecem os surdos como grupo, Lopes e Veiga-Neto (2006) exploram a noção de marcadores culturais surdos. As marcas, segundo os autores, além de incluir uma dimensão material em sua noção, são “impressões que, ao informarem sobre como o outro nos vê, imprimem em nós sentimentos que nos constituem como um sujeito marcado pelo outro e, por isso, diferente em relação ao outro” (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 84). Eles argumentam que,

[…] além da língua de sinais, da arte, do teatro e da poesia surda, a noção de luta, a necessidade de viver em grupo e a experiência do olhar são marcadores que nos permitem falar de identidades surdas fundadas em uma alteridade e uma forma de ser surdo. (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 82, itálico dos autores)

Deste modo, evidenciar marcas culturais da surdez para além da língua de sinais e das denominadas artes surdas, como a literatura, a poesia e o teatro, tem sido uma atividade pouco explorada em trabalhos acadêmicos que de algum modo abordam a cultura surda. Entendemos que esses elementos são parte fundamental da constituição dessa noção, bem como para a compreensão de como pessoas com surdez se convertem em sujeitos surdos. Por assumirmos a necessidade de desenvolver essa discussão, na sequência apresentamos uma possibilidade de compreender a surdez como uma forma de vida.

SURDEZ COMO FORMA DE VIDA

Entendemos que a relação linguística estabelecida na concepção de uma identidade surda tem um valor significativo. Percebemos, contudo, uma carência de investigações que evidenciem outros elementos constituintes do que se pode afirmar ser uma forma de vida surda. Na literatura acadêmica, nacional e internacional, a identidade surda tem sido comumente caracterizada ou representada pela língua de sinais. No entanto, embora a língua de um povo seja uma das principais materialidades da existência de sua identidade, ela não é condição suficiente para compreendermos as sutilezas em que uma dada comunidade está imersa. Sendo assim, o conceito de forma de vida desenvolvido por Wittgenstein (1996) se torna uma ferramenta potente para abordarmos outros marcadores sociais constitutivos de práticas compartilhadas pela comunidade surda.

Ao tomarmos Wittgenstein (1996) como referência, é possível afirmar que o fato de a linguagem humana só poder ser compreendida na relação com outras práticas discursivas ou não discursivas impõe algumas condições para a sua análise. Dito de outra forma, ao estarmos atentos aos jogos de linguagem implicados naquilo que se fala/sinaliza e sobre o que se fala/sinaliza, bem como aos atravessamentos do contexto que determinam as condições das enunciações, é possível identificar os significados que são atribuídos às palavras. O significado de uma palavra, enunciada dentro de uma dada forma de vida, só pode ser compreendido dentro dos jogos que a circunscrevem em uma comunidade. Nas palavras de Wittgenstein (1996, § 199):

Não pode ser que apenas uma pessoa tenha, uma única vez, seguido uma regra. Não é possível que apenas uma única vez tenha sido feita uma comunicação, dada ou compreendida uma ordem, etc. – Seguir uma regra, fazer uma comunicação, dar uma ordem, jogar uma partida de xadrez são hábitos (costumes, instituições).

O uso da linguagem, nesse sentido, está associado a distintas práticas cotidianas, discursivas e não discursivas. A interação do uso da linguagem com práticas humanas nos permite entender a complexidade das ações que compreendem uma dada forma de vida, diferenciando-a de outras. A palavra “olhar”, por exemplo, não possui sentido em si mesma. No entanto, se a tomarmos dentro de um contexto cultural surdo, ela pode ganhar sentidos específicos e distintos de outros. Isso significa que diferente de outros usos possíveis, seu uso na comunidade surda está marcado por uma equação que opera com variáveis de movimento, de espaço e de comunicação de base visual. Para um sujeito que vive a surdez como um diferenciador determinante de uma constituição cultural, o significado atribuído à palavra “olhar” é completamente outro do que para aqueles cuja palavra é impensada ou usada apenas para representar uma ação de um sentido. O conteúdo atribuído à palavra, somado ao seu sentido psicológico e relacional, são ações especificamente humanas e culturais que se dão quando estamos imersos em uma forma de vida específica.

Diante do entendimento do conceito de forma de vida, neste artigo, apresentamos uma análise da constituição, no Brasil, de alguns marcadores culturais surdos datados do início do século XX. Ressaltamos que, no contexto do período analisado, não eram comuns discussões sobre identidades culturais que não estivessem relacionadas a categorias como etnia, nacionalidade ou civilização. No caso da surdez, como aponta Davis (1995), não se discutia sobre os surdos como um grupo constituído antes do final do século XVII, nem havia um discurso significativo em torno da surdez antes do início do século XVIII. Os primeiros empreendimentos educacionais direcionados aos surdos, em meados do século XVIII, possibilitaram a emergência desse discurso sobre a surdez. Entendemos, portanto, que a educação de surdos, historicamente, se configura como uma condição para a possibilidade de formação desse grupo social como se conhece hoje. Apesar disso, Benvenuto e Séguillon (2016), apontam que a história das mobilizações surdas que não estão diretamente vinculadas à educação tem sido pouco investigada de maneira sistemática.

Para desenvolver uma análise da constituição de sujeitos surdos, também é possível assumir a surdez como uma matriz de experiência (WITCHS; LOPES, 2015). Deste modo, analisa-se a produção de uma forma de vida surda a partir da correlação de três eixos que, para Foucault (2010), constituem uma experiência: a formação de saberes, a normatividade de comportamentos e os modos de ser do sujeito – modos que, como já mencionamos acima, têm sido traduzidos e nomeados, de maneira que a exaltação das identidades ocupe lugar no debate. Isso implica compreender que o que se faz ou que se diz sobre a surdez possibilita que ela se configure como uma forma histórica de subjetivação – processo pelo qual um sujeito ou uma subjetividade são constituídos (FOUCAULT, 2004). A formação de saberes sobre a surdez e os surdos, articulada à normatividade de seus comportamentos e aos modos de ser desses sujeitos, possibilita que se perceba algumas formas de ser surdo na Contemporaneidade.

Para Lopes e Thoma (2013), essas formas podem ser traduzidas por um éthos surdo que apresenta um conjunto de características; marcas culturais que operam como evidências dessa constituição. Por éthos entende-se “um modo de relação que concerne à atualidade; uma escolha voluntária que é feita por alguns; […] uma maneira de pensar e de sentir, uma maneira também de agir e de se conduzir que, tudo ao mesmo tempo, marca uma pertinência e se apresenta como uma tarefa” (FOUCAULT, 2000, p. 341-342). Nesse sentido, o éthos surdo descrito pelas autoras apresenta marcas que se vincularam ao longo da história nos processos de subjetivação de indivíduos com surdez.

Dito isso, na seção seguinte exploramos um conjunto de marcadores, como os destacados por Lopes e Veiga-Neto (2006) e mais outros, evidenciados em uma série de publicações de surdos brasileiros na primeira metade do século XX e que nos permitem desenvolver a discussão sobre a surdez como uma forma de vida.

EPHPHATHA: POSSIBILIDADES DE ABERTURA À FORMA DE VIDA

A palavra ephphatha tem origem na versão grega, efatá (εφφαθα), da palavra aramaica pthach (פפְּתַח), de origem caldeia, que significa abrir. Ela aparece nos versículos do evangelho segundo São Marcos e é utilizada como uma palavra que finaliza um conjunto de ações miraculosas sobre um homem surdo que passa a ouvir e a falar corretamente. No seu sentido bíblico de libertação da língua falada do surdo, efatá está representada na gênese da educação de surdos. A palavra é modernizada a partir do momento em que não opera mais como um milagre bíblico, mas age em forma de técnicas precisas e específicas de transformação do surdo em um usuário da língua nacional, de modo que o objetivo da Modernidade de expandir e universalizar o humanismo alcance também esses sujeitos.

Ephphatha é também o nome da publicação mensal organizada pela Associação Brasileira de Surdos-Mudos, fundada no Rio de Janeiro em 1913 nas dependências do Instituto Central do Povo. A Associação, segundo Rocha (2016), era evangélica e de natureza filantrópica. Conforme a autora, seu Estatuto, “de 24 de maio de 1913, prevê que o objetivo principal da Associação seria o de ‘Promover tudo o que for para o bem dos surdos mudos do Brasil, physica, moral, intellectual e socialmente’” (ROCHA, 2016, p. 12). A publicação contava com o trabalho de dois redatores surdos e, embora o redator-chefe da revista, na época professor do Instituto Nacional de Surdos-Mudos, fosse um ouvinte, é possível identificar, ao longo de suas páginas, a constituição de alguns marcadores culturais relacionados aos surdos que, já naquele momento, se reuniam com propósitos sociais. Para Benvenuto e Séguillon (2016, p. 61), “os organismos de imprensa criados pelos surdos para a difusão de seus combates constituem um terreno privilegiado de análise para dar corpo a uma história política das mobilizações coletivas dos surdos”. O conteúdo de Ephphatha, por assim dizer, pode ser interpretado também como uma possibilidade de abertura, pelo menos em território nacional, da discussão sobre a cultura surda sobre a qual hoje se fala.

Deste modo, por tratar-se de uma publicação vinculada a uma associação de surdos e embora isso possa soar óbvio, propomos pensar que a surdez como condição primordial de distinção seja um marcador cultural dessa forma de vida. Isso porque notamos que a reunião dos surdos em associação, nesse período, não ocorria em função de uma questão identitária, mas sim pela condição da surdez partilhada entre eles que os distingue do outro ouvinte. Embora possamos falar de surdos há mais tempo, é historicamente recente a vinculação da surdez ao discurso das identidades culturais. Em aliança ao tempo presente, a surdez como experiência torna-se o diferencial que os distingue para além da identidade cultural. Considerando isso, sugerimos que identidade se configure também como um marcador surdo dentro de uma forma de vida surda. Como invenção que ganha forma nos anos de 1990, a identidade surda compõe um sentir-se surdo de modo muito semelhante a práticas possíveis de serem observadas neste material, mas que ainda não podiam, naquele momento, ser nomeadas no registro das identidades culturais.

Assim, é possível argumentar que a alma surda esteja bipartida pela questão da (a)normalidade. Anormalidade na condição de surdo em relação ao outro ouvinte; normalidade na condição de surdo em relação ao outro surdo. E para que essa bipartição seja mantida, a alma surda encontra-se em luta permanente, o que pode ser configurado como um marcador cultural da surdez. Já no primeiro volume da revista, é possível perceber a luta como uma forte marca naquele período. Segundo Lopes e Veiga-Neto (2006), a imagem de uma luta que é travada constantemente marca a diferença surda. Conforme os autores, ela “é um imperativo alimentado por muitos surdos porque, com ela, conseguem estabelecer a tensão que possibilitará a demarcação das diferenças e de uma identidade surda” (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 87-88). Essa luta pode ser observada no excerto1 do primeiro número da revista publicada em 1914, no qual é explicado o objetivo da publicação da Associação:

Para servir á Associação, Ephphatha ha de procurar communicar-se com as familias dos surdos-mudos, para oriental-as; ha de tornar-se util aos educadores, que procuram restituir o surdo-mudo á sociedade, preparando-o para vencer na luta pela vida; ha de, emfim, desenvolver um trabalho social activo para amparar aquelles dos surdos-mudos que, batidos pelas infelicidades, parecem querer sossobrar. (EPHPHATHA, n. 1, 1914, p. 1)

Nesse trecho, é possível perceber que a necessidade de fazer parte da sociedade já era uma reinvindicação que partia dos próprios surdos na segunda década do século XX. Além de orientar famílias e educadores para que essa tarefa seja desempenhada da melhor forma possível, essa reivindicação se configura como uma bandeira, uma causa pela qual os surdos, na condição de grupo, lutam para conquistar um lugar social. Do mesmo modo, associando-se uns aos outros, reunindo-se como um grupo com características bem delimitadas, é uma forma de essa luta adquirir visibilidade. Nesse caso, as notícias sobre a Associação Brasileira de Surdos-Mudos veiculadas na revista não poderiam deixar de mencionar a importância da união dos surdos.

Quasi todos os nossos consocios residentes no Rio de Janeiro reuniram-se a 12 de julho passado para eleger a nova Directoria da Associação. A reunião começou ás 7 1|2 da noite. O sr. J. Brazil Silvado Junior presidiu, fazendo um discurso de abertura. Elle disse que a Associação tinha unido os surdos-mudos que agora se tornam fortes. Antigamente os surdos-mudos estavam separados, eram fracos; agora estão unidos, são fortes. (EPHPHATHA, n. 1, 1914, p. 7)

A Associação por eles tão esperançosamente fundada tem realizado seus fins, desenvolvendo harmonicamente as condições physicas, intellectuaes, moraes e sociaes de seus protegidos. Novos surdos-mudos que, pela idade, não mais poderiam ser admittidos ao Instituto official, foram nella matriculados e estão recebendo a instrucção devida. (EPHPHATHA, n. 1, 1915, p. 9)

Nesses excertos, vê-se a importância da união surda expressa num sentido de associação. Entendemos que a noção de comunidade surda tem sido tensionada por alguns autores, sobretudo devido ao problema do próprio termo comunidade. Assim como a palavra cultura, o termo comunidade, para Burke (2010, p. 21), “parece implicar uma homogeneidade, uma fronteira e um consenso que simplesmente não são encontrados quando se realizam pesquisas básicas”. No entanto, o termo tem sido bastante utilizado nos Estudos Surdos para designar os grupos de surdos usuários de língua de sinais. Percebemos que o termo também não era utilizado no período analisado, contudo, a materialização de uma associação de surdos, o convívio cada vez mais intenso entre eles e a necessidade de se tornar um coletivo possivelmente são elementos que contribuíram com o fortalecimento de um espírito de comunidade. Conforme Lopes e Veiga-Neto (2006), a vida em comunidade não é uma característica exclusiva dos surdos. Entretanto, “destacar a vida em comunidade como uma prática social que marca a necessidade de estar entre amigos” (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 89) se configura como uma marca cultural dos surdos. O convívio entre surdos em um mesmo espaço, que hoje além de físico pode ser virtual, marca a surdez como uma forma de vida.

Assim, vê-se a instituição escola como um espaço físico para a reunião entre surdos como uma profunda marca dessa forma de vida. Lane (1992) já apontava para essa forte relação entre comunidade surda e escola de surdos. Considerando isso, observamos em um dos excertos acima a necessidade da Associação em ocupar a função escolar para aqueles surdos que não eram admitidos no Instituto Nacional de Surdos-Mudos, a única instituição educacional de surdos naquele período. Lopes e Veiga-Neto (2006) argumentam que os marcadores culturais surdos também são interpelados pelo espaço, pelo tempo e pelas disciplinas escolares. Segundo os autores, “quando a comunidade surda é constituída na escola e marcadores culturais são forjados nesse mesmo espaço, as práticas escolares acabam pedagogizando os movimentos (sociais) surdos” (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 82-86). Isso implica compreender que, mesmo nos limites de uma associação de surdos que não estava diretamente relacionada à instituição escolar, a constituição de uma forma de vida surda também perpassava por práticas escolares.

Como extensão à necessidade de união e da vida em comum, a exaltação da comunidade também se aproxima da marca do olhar, do cuidado e do interesse dos surdos pelos seus pares, como pode ser visto na seção Pessoaes (surdos-mudos) da revista.

Ulysses Affonso Rodrigues fez-nos uma visita. Veio de Bello Horizonte gordo, corado e risonho. Contou-nos muitas coisas. Elle veio com o Dr. Wencesláo e está agora mais orgulhoso de ser mineiro. Acha o Rio feio e já voltou para Bello Horizonte. Abilio Lemos, o fazendeiro de Bemfica, Minas tambem veio ao Rio. Abilio gosta de viajar e dirigir negocios de gado no interior. João Dias continúa desempregado e doente. Muito desejamos que elle volte ao que era: bom e ganhando salario invejavel. (EPHPHATHA, n. 1, 1914, p. 7)

Osvaldo Xavier Rabello baptisou sua interessante filhinha Ruth em 28 de Fevereiro passado. A festa do baptisado foi muito animada tendo comparecido vários consocios e outros surdos-mudos. […] Aroldo Belens escreveu-nos de S. Salvador, da Bahia, contando-nos sobre seus progressos na pintura. Tem sido lá premiado e pretende ganhar a vida pela arte. (EPHPHATHA, n. 2, 1915, p. 16)

Nessa seção, nota-se como os surdos estavam atentos e interessados na vida particular de outros surdos. Mesmos sobre aqueles que se encontravam distantes da Associação, quando retornavam ou de algum modo transmitiam notícias, eram veiculadas informações para que todos os membros pudessem saber. É deste modo que Lopes e Veiga-Neto (2006) traduzem um dos marcadores culturais surdos. O olhar, não apenas como um sentido, é um marcador que permite a contemplação de “um modo de vida de diferentes formas, o cuidado de uns sobre os outros, o interesse pelas coisas particulares, o interpretar e ser de outra forma depois da experiência surda” (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, p. 90).

Outro marcador surdo percebido na publicação, ainda que desprestigiado oficialmente desde o famigerado Congresso de Milão em 1880, é a língua de sinais. Essa que hoje ocupa um papel central na constituição de uma cultura surda, na primeira metade do século XX aparecia com menos destaque, mas não deixava de ser usada ou mencionada, como pode ser observado nos excertos que seguem:

[…] a mimica de que usam os nossos surdos foi importada de França, se bem que hoje constitua um dilecto que cada vez mais se differencia da língua mãe […]. (EPHPHATHA, n. 2, 1915, p. 14)

Um melhor estudo da psychologia por parte dos professores de surdos-mudos levou ultimamente a uma nova, e talvez inesperada situação. A dactylologia passou a occupar o primeiro logar, relegando para um plano auxiliar a escripta graphica. Dahi a creação de nossos dias do methodo dactylologico, cuja verdadeira organização ainda está por fazer-se. […] A dactylologia e o methodo dactylologico nos dariam materia para longas considerações; mas aqui nos limitámos a salientar a sua posição de primeira linha entre os methodos de ensino aos surdos. (EPHPHATHA, n.7, 1915, p. 50)

Como é possível perceber, a língua de sinais era mencionada como mímica ou o discurso sobre ela se manifestava a partir da datilologia como técnica, já que o reconhecimento do estatuto linguístico da comunicação sinalizada foi posterior àquela época. Ainda que naquele momento acreditava-se que os sinais utilizados no Brasil fossem importados da França, como se não existisse comunicação sinalizada antes dessa importação, é interessante identificar a noção de uma genealogia linguística, bem como o uso do termo língua mãe. Também é interessante perceber que, embora banida formalmente da escolarização, fica explícito o uso de sinais entre surdos brasileiros naquele período; o que, inclusive, possibilitou a evolução dessa língua.

Na articulação entre o olhar, a vida em comunidade e a língua de sinais, podemos também pensar a experiência visual-gestual, que funde visão, espaço e comunicação, como um marcador cultural da surdez enquanto forma de vida. Essa marca ganha intensidade na medida em que os surdos passam a ser interpelados pelo uso da língua de sinais, mas antes disso ela já podia ser observada sobretudo na articulação dos marcadores já mencionados. A partir da experiência visual-gestual, também podemos pensar o tempo como outro marcador, como podemos inferir a partir deste excerto sobre o caráter dos surdos:

Sobre o caracter dos surdos-mudos temos lido e ouvido opiniões de diversos educadores sem duvida notaveis. […]

É muito interessante saber o que diz a este respeito o rev. Eugen Sutermeister elle próprio surdo e pastor de surdos-mudos na Suissa. […]

Os defeitos que elle enumera são: falta de governo de si próprio; falta de conhecimento de si mesmo, de introspecção e de amor-proprio; falta de sentimento de responsabilidade; desprezo pelos outros; ignorancia do mundo e credulidade; inveja e orgulho; sensibilidade demasiada e irritabilidade; serem dados a boatos, injurias, insultos e questões; insociabilidade; teimosia, impossibilidade de aprender e ingratidão. (EPHPHATHA, n. 4, 1915, p. 29)

Desconsiderando a interpretação de cunho moral neste excerto, queremos destacar as menções a questões como irresponsabilidadedesprezo pelos outrosignorância do mundo e insociabilidade, como elementos que podem ser associados ao tempo como um marcador cultural da forma de vida surda. O trecho segue com um contra-argumento de um professor da Gallaudet, que justifica que tais características também são visíveis em muitos ouvintes e não são exclusivas dos surdos, que não deviam ser vistos como uma categoria, mas como indivíduos. Entretanto, queremos destacar tais aspectos e relacioná-los ao tempo, considerando que o tempo usado pelos surdos para a comunicação em língua de sinais, para a compreensão de um mundo não-traduzido, ou mesmo de um que não é totalmente acessível por meio da experiência visual-gestual, é sempre um tempo maior. Nesse sentido, o tempo na forma de vida surda tem outras medidas e pode ser compreendido com um marcador cultural a ser considerado quando se pensa na surdez como condição para a constituição de uma forma de vida surda.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitos outros marcadores culturais talvez pudessem ser identificados em documentos históricos produzidos por surdos. Neste artigo, evidenciamos alguns deles e propomos uma releitura de outros, tais como a surdez como uma condição primordial de distinção; a alma em luta permanente e bipartida pela (a)normalidade; a identidade; a reunião em um espaço físico ou virtual; o olhar; a língua de sinais; a experiência visual-gestual e o tempo. Apontamos também que nem sempre a língua de sinais ocupou lugar central na constituição desse grupo social como é conhecido na Contemporaneidade, ainda que sua marca seja uma constante presença no material. A evidência de tais marcadores permite que destaquemos a importância de mais pesquisas históricas sobre a vida dos surdos para além da instituição escolar. Entendemos que tais pesquisas poderão expandir o que conhecemos acerca dessa existência, subsidiando o pensamento sobre a constituição histórica do que temos entendido por cultura surda. Isso permite o avanço da compreensão sobre a constituição de um éthos surdo, de uma forma de ser surdo hoje e, consequentemente, de uma forma de vida surda que carrega aspectos históricos em sua formação.

Consideramos importante destacar o cuidado que os estudos sobre educação de surdos podem ter em não reduzir a diferença cultural surda ao uso da língua de sinais. Embora concordemos com a importância do marcador linguístico na constituição de uma cultura surda, entendemos que os argumentos que sustentam tal noção podem encontrar fortalecimento na medida em que sejam evidenciados mais marcadores culturais atribuídos ao processo de subjetivação dos surdos. Além disso, alguns dos elementos apontados neste artigo reforçam que a comunidade surda é fortemente marcada por características da escola e atentamos para as possibilidades de a diferença surda ser despedagogizada, isto é, da importância de tensionar a relação de imanência entre escola e comunidade surda.

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1Para diferenciar de outras citações que sustentam este texto, os excertos do material analisado estão citados em itálico; manteve-se também a ortografia original da época em que foram publicados.

Recebido: 29 de Agosto de 2017; Aceito: 03 de Junho de 2018

Contato: Pedro Henrique Witchs, Rua Dr. Moacyr Gonçalves, 70, Apto. 510, Jardim da Penha, Vitória|ES|Brasil, CEP 29.060-445

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Doutor e mestre em Educação, graduado em Ciências Biológicas. Professor do Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES. Pesquisador do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos – GIPES e do Grupo de Estudo e Pesquisa em Inclusão – GEPI. E-mail:<pedro.witchs@ufes.br>.

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Doutora e mestre em Educação, graduada em Educação Especial. Decana da Escola de Humanidades e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Pesquisadora do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos – GIPES e coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Inclusão – GEPI. E-mail:<maura@unisinos.br>.

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